Abrimos o caderno do Zico e acompanhamos cada etapa — do rascunho à última lata — do maior mural que o clube já soltou.
Quarenta metros de muro cego numa fachada que ninguém olhava. Três dias, quatro artistas, oitenta latas e um café que não acabava.
Dia 1 — do rascunho à base
Antes de qualquer lata, veio o caderno. O Zico levou três versões do conceito pra mesa e a galera escolheu a mais ousada: um macaco gigante saindo da parede, em realismo, com respingo de cor por cima.
Mural grande é igual sessão longa: quem tem pressa queima a lata e perde o traço.
Dia 2 — cor, sombra e os perrengues
O segundo dia é onde o mural ganha vida — e onde tudo pode dar errado. Sol forte seca a tinta rápido demais e o vento leva o respingo pro lado errado.
- Cap fino pra detalhe; cap gordo pra preencher rápido.
- Fosco na base, brilho só nos pontos de luz.
- Andaime conferido duas vezes por dia.
Dia 3 — os detalhes que ninguém vê (mas sente)
O brilho no olho do macaco, a fumaça do cachimbo que se mistura com o respingo cyan, a assinatura do clube no canto. A fachada que ninguém olhava virou ponto de foto da quadra.